sábado, 21 de julho de 2007

Soneto do Amigo



Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas realizações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica



(Vinicius de Moraes)

Feliz Dia do Amigo!!!!

Beijos!

Ro

domingo, 15 de julho de 2007

VIESTE - IVAN LINS

Vieste na hora exata,
com ares de festa e luas de prata;
Vieste com encantos, vieste,
com beijos silvestres colhidos pra mim;
Vieste com a Natureza,
com as mãos camponesas plantadas em mim;
Vieste com a cara e a coragem, com malas,
viagens pra dentro de mim, meu amor;
Vieste à hora e a tempo,
soltando meus barcos e velas ao vento;
Vieste me dando alento,
me olhando por dentro velando por mim;
Vieste de olhos fechados,
num dia marcado sagrado pra mim...

(Ivan Lins)
.

.

segunda-feira, 9 de julho de 2007


Femininamente mulher, com fases e momentos, erros e acertos, dúvidas e certezas.
Eis me aqui!!!
Beijo e feliz semana!!!

sábado, 7 de julho de 2007


A cor da paixão a gente inventa,
é cor sem definição.
Pode ser cinza, pode ser azul,
pode ser rosa ou não ter cor nenhuma.
Pode ser negra como noite, clara como dia.
A paixão clareia,faz os ponteiros caminharem lentos,
"Tanto mata como engorda, feito desgosto de filha".
A paixão é arma, faca de ponta, faca amolada, corta, une.
É sagrada, como o fruto do trabalho, remove montanhas.
A paixão não tem cor, não.
A paixão antes de tudo é um passo para o abismo,
"um louco correndo em círculos."
A paixão é pathos. A paixão é cura.
A paixão é o medo de ser livre para ser feliz,
o medo de amar,o medo de ser livre para ficar junto.
A paixão são todas as palavras, todos os significados.


Beijo apaixonado pela vida!!!!
.
.
.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Encontro de Damas

Seu olhar maduro e sutil
Sua boca úmida e vil
Palavras ternas e suaves
Movimentos delicados e agradáveis.
No seu olhar os desejos
No entrelaçar das mãos os anseios
Nas carícias toda a destreza
Em seu rosto reflete a beleza
Nesse encontro de sedução
Nossa pele exala paixão
E num êxtase de explosão
Volúpia, amor e tesão.
Nos lençóis em desalinho
Fazemos o nosso ninho
Nosso amor é imensurável
E nesse momento o responsável
por todo esse carinho.
.

QUERO... Tadeu


Quero o calor de uma amizade sincera.
O brilho de um sorriso solto em seu rosto.
Amar como quem nada da vida espera.
Sentir que somos tão iguais, embora o oposto.

Um homem e uma mulher que ama
E tem no coração amor sem fim
Saber que o meu nome chama
E vencer a distância, ter você perto de mim

Estar ao lado seu embora
Unidos desse jeito virtual
Poder enxugar seus olhos que chora
Te ver com um sorriso imenso e racional

Ser seu palhaço preferido
Ser seu amigo, em quem você acredita.
Ser muito mais que pai, ou um marido
Ser aquele que seu corpo e coração agita

Amigo a toda hora, e quando precisar
Amigo que acompanha os seus vôos rasos
Amigo que jamais se furta a contigo chorar
E contigo, de lágrimas, encher todos os vasos

Mas não quero que chores na minha presença
Embora sei, não posso retirar suas dores
Mas posso ajudar, que aumente a sua crença
De que a vida é feita, de mais de mil cores

Te emprestar meu colo, sem nada pedir
Te dar a minha mão, poder voar contigo
Perceber seus problemas e poder sentir
Que sou mais que um anjo, sou o seu amigo.

Delírio Olavo Bilac

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi
.No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! –
disse ela, louca,
Moralistas, perdoai!

Obedeci....


.
.
.

O pouso da ave


Vens de longe eu sei,
em único vôo de chegada
ó ave rara,desfazendo o caminho trazedor
e por amor , bem sei,
não mais voltar.Vens em surdo e manso vôo/ brisa.
Antes, ventania/ tempestade, hoje calmaria.
E, sendo tu quase ave minha, voaste.
Vens em meu coração pousar
e me amar...tu vens sim, ó ave santa,linda e mansa.
Vens de tão longe, eu sei,altiva e bela ave rara
qual nuvem branca do céu,
lua clara,só para me ver e encantar meus sonhos
Vens de muito além de ti
e ao meu amor sentir,almiscarado vôo brando
caçando minh’alma.Vem meu amor,
ama-me do céu ao chão,e em qualquer estrada
porque, por ciúme e por amor,dar-te-ei abrigo
e quebrar-te-ei as asas,ó ave rara...vem...,fica!


Paulino Vergetti Neto


.

.

domingo, 1 de julho de 2007

Sou eu...sou ser

Com traços firmes e
pensamentos em acordo,
decoro minha alma com flores simples...
Percebo-as em minha individualidade única...
Acolho-me,em minhas realidades vividas e
sentidas que estão por vir...
Sou eu enquanto ser...
Sou ser enquanto vivo...

Nancy Moisés



E assim que me identifico,simplesmente única,no sentir,na presença e até na ausencia,na rotina ,no decidir,na tolerância e na inconstância,tudo isso faz de mim uma imperfeita mulher perfeita......
beijo
Rosane
.
.

Precisão

O que me tranquiliza é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando,
confusos, a perfeição.
Clarisse Lispector
.
.
.

Canção da torre mais alta


Que venha, que venha
A hora da paixão.
Tenho tido paciência,
Nunca esquecerei.
Temores e dores
Para os céus se foram.
E uma sede insana
Tolda as minhas veias.
Que venha, que venha
A hora da paixão.
Estou como o campo
Entregue ao olvido,
Crescido e florido
De joios, resinas,
Ao bordão selvagem
Das moscas imundas.
Que venha, que venha
A hora da paixão.


(Arthur Rimbaud)

De um modo ou de outro


"Estou atrás do que fica atrás do pensamento.
Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo.
Gênero não me pega mais.
Além do mais, a vida é curta demais para eu ler
todo o grosso dicionário a fim de por acaso descobrir a palavra salvadora.
Entender é sempre limitado.
As coisas não precisam mais fazer sentido.
Não quero ter a terrível limitação de quem vive
apenas do que é possível fazer sentido.
Eu não: quero é uma verdade inventada.
Porque no fundo a gente está querendo desabrochar
de um modo ou de outro."


Clarisse Lispector
.
.